Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

“Amar de Olhos Abertos”.

Este conto parece ter origem anónima, circulou a Internet e acabou no final do livro de Jorge Bucay e Silvia Salinas,

Era uma vez, num povoado muito pequeno, um homem que trabalhava como aguadeiro. Por aquela época, a água não saía pelas torneiras, mas estava no fundo de poços abertos perto do povoado, aquele que não quisesse ir buscar água pessoalmente deveria comprá-la a um dos aguadeiros que, com grandes cântaros, iam e voltavam ao povoado como o precioso liquido.
Uma manhã um dos cântaros rachou e começou a perder água pelo caminho. Ao chegar ao povoado, os compradores pagaram-lhe as habituais 10 moedas pelo cântaro da direita, mas apenas 5 pelo conteúdo do outro que mal chegava a metade.
Comprar um cântaro novo era demasiado caro para o aguadeiro. Por isso, decidiu que deveria apressar o passo para compensar a diferença de dinheiro que recebia.
Durante dois anos o homem continuou a ir e a vir em passo firme, levando água ao povoado e recebendo as suas quinze moedas como paga por um cântaro e meio de água.
Uma noite foi despertado por um “pst” na sua casa:
- Pssst... Pssst...
- Quem anda aí? – perguntou o homem.
- Sou eu – disse uma voz que saía do cântaro rachado.
- Porque me acordas a estas horas?
- Suponho que se te falasse de dia e em plena luz do dia, o susto impedir-te-ia de me ouvir. E preciso que me ouças.
- Que queres?
- Quero pedir-te que me perdoes. Não foi culpa minha a fenda por onde a água escorre, mas sei o quanto te prejudiquei. A cada dia, quando chegas ao povoado cansado e recebes pelo meu conteúdo metade do que recebes pelo meu irmão, tenho vontade de chorar. Eu sei que me devias ter trocado por um cântaro novo e atirado-me fora. E, no entanto, mantiveste-me ao teu lado. Quero agradecer-to e pedir-te mais uma vez que me desculpes.
- É engraçado que me peças desculpa – disse o aguadeiro. – amanhã bem cedo, sairemos juntos tu e eu. Quero mostrar-te uma coisa.
O aguadeiro continuou a dormir até a alvorada. Quando o sol assomou no horizonte, agarrou na vasilha rachada e foi com ela ao rio.
- Olha – disse ele ao chegar, apontando para a cidade – O que é que estás a ver?
- A cidade – disse a vasilha.
- E que mais? – perguntou o homem.
- Não sei... o caminho – respondeu a vasilha.
- Exacto. Olha para os dois lados da vereda. O que é que estás a ver?
- Vejo a terra seca e o cascalho do lado direito do caminho e os canteiros de flores do lado esquerdo – disse a vasilha que não entendia o que o dono lhe queria mostrar.
- Durante muitos anos percorri este caminho triste e solitário, levando a água até ao povoado e recebendo a mesma quantidade de moedas por ambos os cântaros... mas um dia notei que te tinhas rachado e que perdias água. Eu não podia trocar-te, por isso tomei uma decisão: comprei sementes de flores de todas as cores e semeei-as de ambos os lados do caminho. Em cada viagem que fazia, a água que derramavas regava o lado esquerdo da vereda e, nestes dois anos, conseguiste criar esta diferença.
O aguadeiro fez uma pausa e, acariciando a sua leal vasilha, disse-lhe:
- E estás a pedir-me desculpa? Que importam algumas moedas a menos se graças a ti e à tua fenda as cores das flores me alegram o caminho? Sou eu que devo agradecer o teu afecto.
publicado por Paula Valentina às 10:32

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