Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Deixa me viver

>
>Neste momento eu nasci, sou um par de sapatos que acabou de ser criado.
>Não sou um par de sapatos comum, nada disso, sou feito pelas mãos do mais
>ilustre
>"mestre sapateiro"dessa região, seus sapatos são os mais famosos e andam
>nos
>pés mais ilustres da sociedade.
>Portanto, eu, que sou do mais puro cromo alemão,
>estou predestinado a um pé da alta sociedade.
>
>Estou na vitrine da loja e mal cheguei e o povo já esta parando para me
>admirar.
>Também, sou reluzente, sou macio e bem feito, quem não gostaria de me
>possuir?
>Durante 3 dias sou cortejado por milhares de olhos,
>até que um jovem e elegante senhor,
>entra na loja e pede para me ver...
>
>Meu coração dispara ao contato daquelas mãos,
>sinto como se já as conhecesse de longas datas,
>foi amor a primeira vista, e de ambas as partes, pois o jovem senhor,
>imediatamente pagou o valor pedido, e me levou embora.
>Chegamos a um carro elegante estacionado em frente a loja,
>a porta foi aberta elegantemente por um motorista
>que estava impecavelmente vestido,
>mostrando o quanto meu "dono"era importante.
>
>Ao chegar em sua casa, sou colocado em elegante
>armário onde outros pares de sapato
>me olham com profunda inveja, afinal estou novinho,
>brilhante e radiante de felicidade.
>Quatro dias depois, sinto aquelas mãos amigas me pegando e calçando-me,
>levou me a uma festa da alta sociedade.
>Puxa, nunca me esqueço daquela "minha apresentação" a sociedade,
>quantas sandálias lindas e sapatos femininos
>de primeira linha que quase me partiram o coração.
>Fui muito elogiado pelos amigos do meu "dono",
>o que me deixou mais vaidoso ainda.
>Foi uma noite inesquecível.
>
>Durante 8 meses fui a todas as festas e restaurantes da moda,
>viajei com meu dono de avião, de trem e navio,
>sempre acompanhando-o com muita
>dedicação em todos os seus momentos.
>Minha vida, era viver para ele.
>Até que um dia fui colocado no canto mais baixo
>do guarda roupa e percebi na tarde
>seguinte que um novo sapato acabava de chegar,
>novo e brilhante, tão lindo quanto eu fui um dia.
>
>E, assim passaram-se as semanas, os meses,
>e nunca mais meu dono me chamou para sair.
>No começo tentei me enganar,
>acreditando que ele voltaria a me procurar.
>Mas o tempo, cruel mensageiro da verdade,
>foi mostrando que ele já havia me trocado
>por outro sapato. entrei em depressão profunda.
>A luz me incomodava,
>as conversas dos outros sapatos me incomodava,
>não via motivos para viver.
>
>Até que um dia, eu senti aquelas mãos novamente me tocando,
>pensei que voltaríamos aos nossos passeios, a vida voltou,
>mas não era bem isso, meu dono estava me doando
>ao seu motorista para que entregasse a alguém que precisasse...
>foi minha última viagem naquele carro elegante...
>
>O motorista levou me até uma casa muito pobre,
>de um bairro miserável na periferia da cidade,
>e entregou me a um senhor cuja idade era difícil de identificar.
>Nunca vi ninguém mais feliz que aquele homem. seu nome era Justino,
>e ele me alisou de todos os lados, lavou os pés imundos e me calçou com
>alegria
>de criança, durante alguns minutos ele ria sozinho....
>Engraxou-me, lustrou-me e guardou me como se fosse um tesouro.
>
>No dia seguinte, muito cedo ele levantou-se e calçou-me,
>saímos para a rua onde ele apanhou
>sua carroça que era puxada por um velho burro,
>e saímos apanhando papelão, latas,
>e outras sucatas que ele no fim do dia revendia para sustentar sua casa.
>Nunca trabalhei tanto, forma quilômetros e mais quilômetros
>andando por ruas de esgoto a céu aberto, sujeira e lixo por todo o lado.
>Nunca me senti tão cansado, mas senti que a vida voltava a minha alma.
>
>Durante 10 anos, servi com carinho ao Justino,
>homem honesto que criou quatro filhos,
>e formou todos eles na Universidade com o dinheiro de sua carroça,
>sua sucata e eu nos seus pés.
>Sempre me levava a um sapateiro e trocava meu solado,
>nunca me faltou uma graxa, um lustro e um carinho.
>Até que naquele dia, naquela tarde de frio, ele se agarrou a carroça
>e começou a cair, senti seu peso sobre mim, e muitos correndo para
>ajudá-lo.
>
>Já chegou morto ao hospital, a cidade inteira ficou sabendo
>e rumaram para sua casa, ele era muito querido.
>Seus filhos, compraram uma roupa nova para ele, mas o sapato,
>Deus, na sua infinita bondade e sabedoria, permitiu que eu,
>esse velho servidor, pudesse acompanhar meu amigo em sua última jornada.
>Sou feliz meu Deus, por servir sempre!
>Graças a Deus!
>
>Eu continuo acreditando em você!
>
>(Autor Paulo Roberto Gaefke )
publicado por Paula Valentina às 23:19

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