Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Qual o sentido da sua vida???

>Inúmeras pessoas se queixam da falta de sentido na vida. E essa reclamação
>só ocorre em momentos de sofrimento, desilusão, depressão e estresse. Nunca
>nos perguntamos pelo sentido da vida quando estamos felizes, usufruindo
>algum prazer, em estado de graça. A vida, no entanto, não tem em si mesma,
>nenhum sentido. É nascer, viver e morrer. Essa afirmação, no entanto, não
>guarda nenhum pessimismo ou frustração. Ao mesmo tempo, é justamente pelo
>fato de a vida não ter nenhum sentido que nós podemos criar um sentido para
>a nossa vida - escrever os próprios sonhos, criar os nossos caminhos,
>construir uma existência própria.
>Duas condições são base para um sentido à vida. Primeiramente, não aceitar
>a pressão social para um sentido padronizado da vida. Cada um de nós é um
>indivíduo e, por isso, singular. Cada um tem sua particularidade, gostos,
>opções e a construção vital deve obedecer a essa singularidade. A sociedade
>tende à padronização e estabelece regras que nos farão felizes. A autonomia
>humana, ao contrário, estabelece que a felicidade é pessoal, intransferível
>e inalienável. A felicidade ou o sentido da vida é personalizado. Quando
>muito, posso apenas partilhar esse sentido com o sentido da vida de outras
>pessoas.
>
>A segunda condição é saber que não adianta procurar fora de nós mesmos o
>rumo da existência. Não podemos pegar carona na vida de outras pessoas. Os
>pais, cujo sentido existencial está nos filhos, o marido ou a mulher, cuja
>graça de viver depende totalmente do outro, as pessoas que depositam todo
>valor da vida no sucesso social, no dinheiro, no poder, no domínio e
>controle de outrem estão fadados, mais cedo ou mais tarde, a um vazio e à
>perda do sentido da vida. O contrato consigo mesmo, o amar a si próprio e a
>aceitação de si mesmo nos fazem ter sintonia com nosso coração, intuição e
>desejos, que determinarão o nosso rumo na vida. Como a vida só existe no
>momento presente, o seu sentido é também sempre agora. O contrato feito com
>nossos sentimentos e com o nosso corpo é o alicerce seguro para que nossa
>cabeça planeje a entrada. Na mesma proporção do auto-amor, deve ser
>considerado o amor às outras pessoas. É impossível aprender,
>significativamente, o amor sem a partilha, sem soltar as amarras do coração
>e deixar que nossa luz envolva quem se aproximar. A inteireza, a
>totalidade, o envolvimento com o outro são sinais de rumo, de significado.
>Dizia o Pequeno Príncipe: "Só se vê bem com o coração". A lógica, a
>racionalidade, o pensar, desvinculados da emoção nos conduzem a um sentido
>da vida superficializado, periférico, sem sustentação a longo prazo.
>A vida é emocional. Nós somos aquilo que sentimos. As emoções, por outro
>lado, são uma bússola. Elas nos dizem se estamos no rumo errado. As emoções
>dolorosas, chamadas de negativas, nos convidam a uma mudança de rota. As
>positivas nos mostram o caminho certo. Um outro aspecto relevante do
>sentido da vida é sua relação com a aceitação ou não da realidade.
> Que sentido tem a vida humana tão cheia de atribulações e sofrimentos.
>Para que estudar se um dia vou morrer? Nós não escolhemos nascer, não
>escolhemos morrer. A única escolha que nos sobrou foi como viver. Se
>aceitarmos a realidade tal qual ela é, com seus altos e baixos, seus verões
>e seus invernos, nossa vida terá a totalidade dos opostos e sentiremos um
>imenso prazer no fato de estarmos vivos. Se, ao contrário, de maneira
>onipotente, queremos uma vida idealizada e perfeita, sem erros, sem perdas
>e sem dor, nossa existência se torna um recuo, uma fuga, um medo de viver.
>O grande problema humano não é a perda, a doença ou a morte, mas o medo
>dessas coisas. Aceitar a fragilidade humana e não resistir à realidade nos
>faz participantes da melhoria do mundo e protagonistas ativos dessa
>brincadeira, que é viver. Há coisas que estão sob nosso controle e outras
>que não estão. A felicidade, o sentido dado à nossa vida, vem da nossa
>disponibilidade. Viver, como diz Guimarães Rosa, é muito perigoso. Um sim
>aos riscos, ao desconhecido e ao inesperado nos faz participantes
>esperançosos do mistério da realidade. A vida é um mistério para ser vivido
>e não um enigma a ser decifrado.
>E vc me diga, qual o sentido da sua vida???
publicado por Paula Valentina às 23:24

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