Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Empatia?

Compreender os sentimentos alheios é um dom sem preço. O segredo é a intuição, um talento que todos temos dentro de nós e que se pode treinar. Com algumas estratégias simples, indicamos-lhe o caminho a seguir para entender melhor quem a rodeia.


É um facto. Nada é tão contagioso como os sentimentos.

Por isso, há tantas sitcoms em que a gargalhada de um contagia os outros ou em que quando alguém boceja, o interesse diminui consideravelmente. É esse o motivo que nos leva a aproximar de pessoas com boas vibrações e a evi­tar pessoas com má onda. Mas as coisas não são assim tão linea­res: ter boas vibrações não é sinónimo de ser portador de senti­mentos positivos. Quem esconde de si e dos outros a dor, o des­gosto, a raiva, a vulnerabilidade não exterioriza e passa-o para os que estão à sua volta.

A razão porque é que os sentimentos são tão contagiosos é simples: os cientistas chamam-lhe empatia ou seja, uma capaci­dade inata de compreender o que os outros estão a sentir. Ao contrário do que se possa pensar, esta característica não perten­ce apenas a algumas pessoas. Todos somos capazes de sentir em­patia. A evolução deste dom ao longo do tempo leva-nos a con­cluir que ele é necessário para a sobrevivência da nossa espécie. Com efeito, a empatia fortalece a solidariedade de um grupo. E um sentimento que conduz ao intercâmbio social.



Dar ânimo a quem tem medo, consolar quem está triste, aquecer quem tem frio, acalmar quem está furioso - tudo isto são actos sociais que tendem a estabelecer a harmonia. Se isso se consegue, os sentimentos fluem livremente entre as pessoas. Infelizmente, este intercâmbio é muitas vezes impossível devi­do às barreiras que muitos de nós erguemos à nossa volta.

Sem a facilidade de intuir com segurança as necessidade dos outros, o contacto não se estabelece. Cruzamo-nos a correr uns com os outros como se fôssemos estranhos. O resultado é a so­lidão. Mas felizmente nem tudo é negativo. Se quisermos, po­demos treinar a nossa intuição. E à medida que vamos com­preendendo automaticamente os sinais reveladores dos senti­mentos dos que nos cercam, somos capazes de os partilhar.

Tentar compreender os sentimentos dos outros é apenas uma das formas de estabelecer uma boa relação. A outra, não menos importante, é mergulhar dentro de nós próprios. Só quando com­preendermos claramente a nossa vida interior, poderemos ter a imagem de quem realmente somos. Só então os outros terão a possibilidade de compreender os nossos sentimentos.

Aprender a ler os sinais

Ajudar o outro a sair da sua concha é o grande segredo de qualquer relação bem sucedida. Seja ela profissional ou amorosa.




Quem esconde de si e dos outros dor, desgosto, raiva e vulnerabilidade não exterioriza o que sente, passando essas más vibrações para os que estão à sua volta.




Com quem nos podemos identifi­car facilmente? Esta questão nem sempre tem a resposta que gosta­ríamos. Fazemo-lo com mais facilidade com as crianças, que ainda não sabem dissimular. Os seus sentimentos espe­lham-se claramente nos seus rostos e as suas atitudes são geralmente claras. Por isso, as relações com elas são mais fáceis.
Compreender verdadeiramente um adulto é, pelo contrário, um caminho penoso. O que exteriorizamos não está necessariamente de acordo com o que verdadeiramente sentimos.

Por isso observamos, por exemplo, numa festa, uma mulher que furta agres­sivamente com todos os homens. Qual é o nosso veredicto? Que ela procura de-sesperadamente afirmar-se porque a sua auto-estima está em baixa? Que acabou uma relação, está carente e por isso é tão escandalosamente insistente?

O mais certo é que a atitude dela não tenha nada a ver com os homens que ela eroticamente persegue. Talvez apenas procure provocar ciúmes no parceiro que a tratou toda a noite como se ela fosse transparente.

Talvez você tenha mais facilidade em dectectar o desespero que se esconde atrás destes sinais. Provavelmente porque viveu uma experiência semelhante. Mas, acima de tudo, porque pensou sobre is­so de uma forma madura. Se você já sen­tiu dificuldade em fragilizar-se diante dos outros, saberá dectectar nos outros o



mesmo tipo de receios. A maioria das pes­soas tem tanto medo do julgamento dos outros que, em vez de se aproximar, afas­ta-se, disfarçando o que realmente sente. Se estiver realmente interessada em per­ceber as pessoas que estão à sua volta, dê o primeiro passo. Exponha-se de uma for­ma clara, sem receios. Não há nada assim de tão terrível que lhe possa acontecer. Ao fazê-lo, dará coragem aos outros. Sair do esconderijo é o grande e único segre­do de todas as relações. Sejam elas pro­fissionais, sociais ou amorosas.




Enfrentar os sentimentos contraditórios

Quem os partilha e discute com os outros pode resolver melhor os seus próprios problemas. Porque, na verdade, todos os temos.




Todos temos sentimentos contraditórios: o desejo de dar e a angústia da rejeição; a ânsia de ser compreendido e o medo do ridículo; o desejo de proximidade e o pavor de que a nossa intimidade seja invadida.
O problema é que se se mostra um lado e se esconde o ou­tro, ninguém vai perceber nada de nós. Aos outros chega uma desconcertante mistura de diferentes mensagens. É, portanto, provável que fiquem com uma imagem distorcida a nosso res­peito. Se o desejo de dar deixa transparecer o monstro que atrás dele se esconde é como se apanhássemos um duche frio. Se nos magoamos com as indirectas que os que nos rodeiam nos lançam, denunciamo-nos como hipersensíveis e não nos livramos daquilo que nos faz esconder: o sofrimento.

A verdade é que nunca se sabe quem é realmente a pessoa que está junto de nós. Uma relação séria pode ficar comple-tamente boicotada, mesmo que não seja essa a nossa verda­deira intenção. Seria muito mais saudável que não nos violen­tássemos tanto nem nos enchêssemos com sentimentos, por vezes, tão contraditórios.




É uma ilusão acreditar que as nossas contradições desapare­cem magicamente. É preciso agir. O que nem sempre é fácil. Mas é provavelmente a única maneira de nos podermos liber­tar e sentir melhor.

Quando as nossas contradições nos provocam um mau es­tar violento, a psicoterapia pode-nos ajudar a libertar dessa enorme angústia. As indecisões da alma podem fazer parte do nosso carácter, mas isso não significa nenhuma sentença. A terapia é muitas vezes a única solução para que os senti­mentos antagónicos não nos tornem em pessoas profunda­mente neuróticas.

Não ter medo de comunicar e conseguir partilhar as nossas contradições honestamente pode provocar um pequeno mila­gre: de repente podemos compreender os nossos sentimentos e os dos outros e resolver situações que à primeira vista pare­ciam estar condenadas ao fracasso.

Se temos a consciência das contradições dos outros, só te­
mos uma saída: tentar viabilizar a comunicação. Só assim o en­tendimento é possível.



Determinar o ponto fraco (comece pelo seu!)

Se identificar as suas imperfeições, mais facilmente aceitará as dos outros. Ser tolerante é indispensável para uma boa relação.




Gostarmos dos outros exige uma grande dose de respeito, vontade e muita compreensão. Aprender a ser tolerante, ajuda-nos a gostar melhor.




Quando os casais têm problemas é frequente entrarem num círculo vicioso. Com a ideia fixa de ten­tar adivinhar o que se passa com o outro, esquecem-se de perceber o que é que os magoou. E vice-versa. Resultado: perse-guem-se um ao outro sem nunca se en­contrarem. Quanto mais estreita é a re­lação, maior é a culpa pela discórdia que agora os faz sofrer.
Saída para o dilema: um deles fala so­bre si próprio e os seus pensamentos. Única condição: falar sobre a atitude do parceiro é tabu, assim como as suspeitas sobre a sua disposição interior. Só são permitidas expressões como: «Quando dissestes que..., senti-me muito magoa­da». É proibido dizer: «Porque tu disses­tes que ..,». Cada censura põe o outro na defensiva, a zanga aumenta e nada se re­solve. Lembre-se que em alturas de crise é fundamental ter a noção daquilo que



os une, mas também é necessário ter a capacidade de dizer o que é que a ma­goou, sem receios de expressar as suas fragilidades. Só assim dará ao seu parcei­ro a oportunidade de conhecer os seus pontos mais sensíveis. V; •••<

Tolere os pontos fracos dos outros

Em alguns é a vaidade. Não ser atraente é para eles a pior das doenças. Noutros é o medo de perder o controlo. Se não dis­põem de todas as informações que con­sideram importantes para uma determi­nada situação, ficam nervosos. E o seu ponto fraco? Qual é? Será bom que o sai­ba, pois conhecendo-o pode mais facil­mente avaliar o grau de dificuldade que terá em o ultrapassar.

Determinar o ponto fraco dos outros nem sempre é fácil. Com impiedosa obs­tinação - que naturalmente imputamos aos outros -, recusamo-nos a admitir que



sejam assim tão diferentes dos nossos.

Irrita-nos que os outros não nos per­cebam automaticamente, da mesma for­ma que nos angustia o nosso desconhe­cimento face aos sentimentos do outro. De factos somos todos muito diferentes. É preciso saber aceitar as características que nos tornam absolutamente únicos.

As razões que determinam que a segu­rança ou o perfeccionismo sejam pontos fundamentais para alguns de nós variam de pessoa para pessoa. E, em alguns ca­sos, essas necessidades não são tão facil­mente explicáveis como gostaríamos.

Aceitar as pessoas como elas são, com as suas características, as suas qualidades e defeitos, é essencial para que as re­lações sejam harmoniosas.

Gostarmos dos outros, exige uma grande dose de respeito, vontade e mui­ta compreensão. Aprender a ser tole­rante ajuda-nos a gostar melhor.

E se já todos sabemos que a qualida­de dos afectos depende da forma como investimos em nós e nos outros, é ne­cessário estarmos permanentemente atentos. Algumas distracções podem ser fatais. Transformar as crises em oportu­nidades de mudança e de crescimento está nas suas mãos. Experimente. Verá que vai valer a pena.




Lidar com as discrepâncias

Nem sempre se diz ou mostra o que se pensa ou sente. Para perceber isso nos outros, comece por fazer uma auto-análise.




Sabemos mais sobre os outros (e sobre nós próprios) do que julgamos. Há momentos em que ouvimos uma úni­ca afirmação sobre um assunto e rapidamente chegamos a uma conclusão. O que queria ele dizer quando me prome­teu que telefonaria nos próximos dias? Foi uma promessa a sé­rio ou queria apenas livrar-se de mim? Mas especular não con­tribui em nada para nos esclarecer.
Conseguimos sentir a verdade se formos bons observadores. Os olhos dele riram-se quando disse que lhe ligava? Ou, pelo contrário, desviou o olhar? Enquanto falava, aproximou-se ou afastou-se ligeiramente de si? E o seu tom de voz tornou-se mais quente ou mais frio? Estes são sinais, quase imperceptíveis, que ficam gravados na nossa memória mesmo sem nos darmos con­ta. Os nossos sentimentos, mais do que a nossa razão, registam a mais pequena divergência entre o que uma pessoa diz e faz



e, portanto, o que ela sente e pensa. Muitas vezes, existem dis­crepâncias mínimas entre o que se pensa e o que se diz. Todos nós temos um bom ouvido para detectar essas dissonâncias. Po­rém, nem sempre ouvimos a nossa voz interior. Acabamos mes­mo por ficar surdos. E, no entanto, essa voz reflecte-se no nos­so comportamento: sentimo-nos tensos, indispostos, entedia­dos, perturbados ou cansados, sem sabermos porquê. Apenas sentimos que estar naquele sítio, com aquelas pessoas, não nos dá prazer e causa-nos mau estar.

Para nos culparmos ou nos isentarmos da culpa de um blo­queio de comunicação, basta uma simples pergunta: sentimo--nos assim em situações equivalentes? Se a resposta é sim, fica­mos a saber que em determinadas circunstâncias não conse­guimos mostrar aos outros o que se passa dentro de nós, transformando o nosso desconforto num mau estar desviado.


perquntas para saber se as suas fantenas" funcionam a 100%

Faça este teste e verifique se capta bem os sentimentos dos outros. Estar em sintonia com o resto do mundo é um dom sem preço.



A empatia pode e deve ser estimulada. A identifi­cação e a disponibilidade para se compreender a si e aos outros são fontes de harmonia.




A


empatia é uma característica que nos pode ajudar a fazer uma avaliação mais rápida dos sentimentos. Quando nos preocupa­mos com os outros, as nossas reacções revelam-no de imediato e estabelece-se uma aproximação rápida. E quanto às "antenas" deles? Estarão em sintonia com as dos outros?

yi Pensa muitas vezes e longamente no l que se passa com os outros. El É verdade.

0 É diferente de caso para caso. B Não. A maior parte das vezes sei lo­go o que se passa. Eles nem precisam de dizer nada.

2


Travar amizade é, na sua opinião, sempre o melhor método de conhe­cer as pessoas? El É verdade.

Q Alguma vezes sim, outras não. B Não é verdade.





3


Quando você se engana sobre a atitude de uma pessoa que lhe é próxima... El Medita em primeiro lugar sobre o motivo dessa estranha atitude antes de lhe perguntar directamente. El Tenta acabar a relação o mais de­pressa possível ou, na melhor das hipóteses, faz outra tentativa. B Fala imediata e directamente sobre o que lhe pareceu esquisito.

a Quando uma amiga tem graves pro-*t blemas sentimentais... a Cancela todos os compromissos para estar com ela o mais depressa possível.



Q Procura animá-la. Telefona-lhe várias vezes ou dá-lhe um presente. B Pergunta-lhe o que pode fazer por ela naquele momento.

5


Quando quer perceber o que está a acontecer com outra pessoa e ela não fala sobre o assunto... El Convida-a a contar o que se está a passar e fá-la compreender que acaba­rá por se sentir melhor. Dl Diz-lhe que ficará magoada se ela não confiar em si.

B Pede-lhe simplesmente que lhe con­te tudo sobre ela própria.



Resultados do teste








Pelo menos duas respostas El

Você ocupa-se intensamente da vida interior dos outros. A sua estratégia preferida para compreender o que se pas­sa com eles é interpretação. Sobre alguns pontos de re­ferência constrói histórias plausíveis. As outras pessoas acharão as suas interpretações muitas vezes subjectivas, o que é verdade. Também poderão sentir que revelaram muito da sua intimidade sem que você tenha verbalizado os seus pensamentos. Ocupe-se menos dos sentimentos dos outros e mais dos seus.

Pelo menos duas respostas 0

As suas antenas estão melhor sintonizadas para os senti­mentos dos outros do que para os seus. Regista como um sismógrafo todas as vibrações que pairam no ar. Defen-



de-se automaticamente da maré de sentimentos negati­vos contra os quais está impermeabilizada. Por isso é, por vezes, um pouco ríspida. Não quer deixar-se envolver de­masiado pêlos sentimentos dos outros, mas sim perceber melhor os seus próprios sentimentos.

Pelo menos duas respostas B

A empatia não é o seu ponto forte. Por um lado, não so-
brevaloriza as suas capacidades, o que a leva a não con­
siderar os outros como livros abertos. Por outro lado, sa­
be que os seus próprios sentimentos não a abandonarão,
se, algures, a deslealdade estiver em jogo. E pode sem­
pre apoiar-se neles sem se tornar "penetrante" de mais.
Mais ainda: é 100% tolerante com os outros, mesmo que
eles a desiludam. • B.S.
publicado por Paula Valentina às 20:03

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