Sábado, 14 de Outubro de 2006

Honestidade...

>>A história é comovente.
>>Fala de uma honestidade a toda prova,
>>e é contada por Vladimir Petrov,
>>jovem prisioneiro de um campo de concentração no nordeste da Sibéria.
>>Vladimir tinha um companheiro de prisão chamado Andrey.
>>Ambos sabiam que daquele lugar poucos saíam com vida,
>>pois o alimento que se dava aos prisioneiros políticos
>>não tinham por objetivo mantê-los vivos por muito tempo.
>>A taxa de mortalidade era extremamente alta,
>>graças ao regime de fome e aos trabalhos forçados.
>>E como é natural, os prisioneiros, em sua maioria,
>>roubavam tudo quanto lhes caía nas mãos. Vladimir tinha,
>>numa pequena caixa, alguns biscoitos, um pouco de manteiga e açúcar
>>- coisas que sua mãe lhe havia mandado clandestinamente,
>>de quase três mil quilômetros de distância.
>>Guardava aqueles alimentos para quando a fome se tornasse insuportável.
>>E como a caixa não tinha chave, ele a levava sempre consigo.
>>Certo dia, Vladimir foi despachado para um trabalho temporário em outro >>campo.
>>E porque não sabia o que fazer com a caixa,
>>Andrey lhe disse: deixe-a comigo, que eu a guardo.
>>Pode estar certo de que ficará a salvo comigo.
>>No dia seguinte da sua partida, uma tempestade de neve que durou
>>três dias tornou intransitáveis todos os caminhos,
>>impossibilitando o transporte de provisões.
>>Vladimir sabia que no campo de concentração em que ficara Andrey,
>>as coisas deviam andar muito mal.
>>Só dez dias depois os caminhos foram reabertos e Vladimir retornou ao >>campo.
>>Chegou à noite, quando todos já haviam voltado do trabalho,
>>mas não viu Andrey entre os demais.
>>Dirigiu-se ao capataz e lhe perguntou:
>>- Onde está Andrey?
>>Enterrado numa cova enorme junto com outros tantos prisioneiros.
>>- respondeu ele. Mas antes de morrer pediu-me que guardasse isto para >>você.
>>Vladimir sentiu um forte aperto no coração.
>>- Nem minha manteiga nem os biscoitos puderam salvá-lo, pensou.
>>Abriu a caixa e, dentro dela, ao lado dos alimentos intactos,
>>encontrou um bilhete dizendo:
>>"Prezado Vladimir.
>>Escrevo enquanto ainda posso mexer a mão.
>>Não sei se viverei até você voltar, porque estou horrivelmente debilitado.
>>Se eu morrer, avise a minha mulher e meus filhos.
>>Você sabe o endereço.
>>Ser honesto é dever que cabe a toda criatura que tem por meta a >>felicidade.
>>E a fidelidade é uma das virtudes que liberta o ser e o eleva na direção >>da luz.
>>Uma amizade sólida e duradoura só se constrói com fidelidade e honestidade >>recíprocas.
>>Somente as pessoas honestas e fiéis possuem a grandeza d'alma
>>dos que já se contam entre os espíritos verdadeiramente livres.
>>
>>"Deixo as suas coisas com o capataz.
>>Espero que as receba intactas.
>>Andrey."
publicado por Paula Valentina às 15:59

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