Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Quando o Amor vira Amizade

>Creio que todo casal, em algum momento da relação, já se perguntou: "será
>que eu realmente amo esta pessoa ou estou com ela apenas porque já me
>acostumei?"
>Ou seja, a dúvida parece reincidir sobre dois sentimentos que aparentemente
>exigem posturas diferentes: amor e amizade.
>Porém, creio que alguns conceitos necessitem de certa reflexão. Se podemos
>nos apaixonar por um amigo, supomos que amizade e amor podem ter íntima
>correlação. Se podemos nos tornar amigos de quem amamos, a afirmação
>continua valendo. Isto é, podemos acrescentar amor à amizade e amizade ao
>amor.
>Mas por que, em muitos casos, quando uma pessoa se questiona sobre o fato
>do amor ter-se tornado amizade, fica a impressão de que algo se perdeu?
>Fica a sensação de que falta alguma coisa, de que foi subtraído da relação
>o mais importante? Será?
>Claro que buscamos o despertar de sentimentos peculiares quando decidimos
>nos entregar a uma relação amorosa. Paixão, excitação e palpitação não
>combinam com as relações que vivemos entre amigos. Espera-se que no 'grande
>encontro' haja mais do que a paz que pode ser encontrada num ombro
>companheiro. Espera-se que haja desejo.
>Muito bem. Isso é verdade. Mas qual é o prazo de validade da paixão? Qual é
>a função desse fogo que parece nos consumir e nos movimentar no auge de sua
>envolvência. Será possível viver nesta ardência por toda a vida? Será
>construtivo?
>O que quero dizer, na verdade, é que a base de uma relação de amor,
>especialmente com o tempo, a dedicação e a construção de uma vida em comum,
>vai ganhando mais em amizade e permitindo que se apague, de forma saudável
>e necessária, o fogo da paixão. E é absolutamente preciso que seja assim,
>acredite!
>A paixão é maravilhosa, deliciosa, imperdível e desejável, mas como
>fogueira vai se apagando em seu devido tempo. Fogo demais queima, machuca,
>dói, destrói. Fogo de menos faz falta, deixa frio, escuro, desconfortável.
>É preciso acertar o tom, aceitar o ritmo, embriagar-se de labaredas na
>medida certa... e depois, aprender a manter acesas somente as brasas.
>Mas as crenças e os romances nos enganam; deixam no ar a ilusão de que
>podemos estar constante e ininterruptamente apaixonados, ardendo, como se o
>amor se resumisse a isso. E assim, nos perdemos em desejos impossíveis.
>Acreditamos que falta algo nas relações duradouras. Simplesmente porque não
>aprendemos a apreciar a sutileza do amor. Ficamos presos e condenados à
>aflição que nos causa a paixão.
>E o fato é que ela acaba. Ela sempre acaba. É assim, não tem jeito. Mas a
>gente não aceita. Busca outra e outra, nos remetendo a um vazio que nunca
>poderá ser preenchido senão com a delicadeza do amor. Precisamos nos deixar
>apaziguar, mais cedo ou mais tarde. Geralmente, mais tarde. Algumas vezes,
>bem mais tarde! Noutras, nunca, infelizmente.
>Por isso, antes de pôr fim a uma relação que tem mais sutileza do que
>ardência, que lhe provoca mais paz do que desejo, pense bem. Não se deixe
>cair numa armadilha ardilosa e extremamente perigosa.
>Não estou, de forma alguma, subestimando a importância da paixão. Ela é
>necessária e imperdível. Contém em si o impulso da provocação, a coragem
>para a entrega. Sem ela não há início, não há motivação para o nascimento
>do amor. A paixão rompe a terra para deixar nascer o amor, em forma de
>fruto.
>Desejo assim, que todos nós tenhamos a oportunidade de nos envolver nas
>chamas da paixão. Se preciso for, até arder, doer e aprender. Para depois,
>enfim, valorizar a calmaria do amor.
>Afinal, a paixão queima e machuca enquanto que o amor aquece e acolhe... e
>que você descubra e usufrua do segredo contido na relação que torna-se mais
>parecida com amizade e menos com a angústia das paixões.
>
>Bjs.
>Aristides.
>
publicado por Paula Valentina às 21:06

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